quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A COR DOS ABRAÇOS

Gosto muito de espreitar o blogue da Teresa. Sempre que o visito, páro e quase sempre me deixo enlear nas publicações que ali encontro. Posso mesmo dizer que é um sítio onde me vou deliciar. Há ternura e afectos aos molhos, sobretudo, nas publicações relacionadas com os meninos da Teresa, que é educadora de infância.

Transcrevo, com a autorização desta amiga virtual, este belíssimo texto. É um novelo com muita ponta por onde se pegar, sobretudo, se quisermos entrar pelo campo dos afectos, da poesia, dos diferentes sentidos da vida…

“Às vezes os meninos fazem perguntas surpreendentes, ou melhor, as perguntas dos meninos são sempre surpreendentes, os adultos é que nem sempre “ têm tempo” para se deixar surpreender!
Mas a minha profissão é feita de meninos, por isso nunca persigo o tempo e deixo que ele e os meninos me surpreendam. Como aconteceu ontem quando líamos a história, “O Pequeno Azul e o Pequeno Amarelo”, um livro delicioso da editora Kalandraka.
O livro conta a história de dois pingos de tinta, um azul o outro amarelo, amicíssimos e vizinhos que um dia se abraçam e ficam verdes…
O objectivo principal do livro talvez seja a exploração e aprendizagem das cores e digo talvez, porque o que se lê nem sempre está escrito e mesmo que esteja podemos sempre ler mais, tanto quanto os nossos horizontes o permitam…
E os meninos são tão cheios de horizontes!
Depois de ouvir o que se dizia sobre a história, Rodrigo perguntou intrigado:
- Ó Professora, os nossos abraços são de que cor?
Não vou mentir, já tinha pensado e sentido as cores dos meus abraços.
Por vezes são azuis salpicados de espuma branca, outras, completamente transparentes, e pensei também se um abraço transparente é o que não tem cor, ou se pelo contrário é onde estão contidas todas as cores!
Os meus abraços, são vermelhos quando apaixonados. Verdes se serenos.
Quando o meu abraço muda pra amarelo, ele é tão quentinho! E mais quente ainda se o pinto de cor-de-laranja…
Os abraços brancos são tão leves, parecem flocos de neve. E os castanhos, têm um cheirinho tão bom a terra!
Há quem fuja dos abraços pretos e cinza. Eu misturo-lhes uns pingos de branco e torno-os, leves…
Mas a minha cor de abraços preferida é aquela para a qual ainda não tenho nome mas que sei existe do lado de cá de mim!
E eu que cheguei a pensar que as cores iluminavam a vida, agora tenho dúvidas se não será a vida que ilumina as cores!
Definitivamente, as cores se não forem sentidas não fazem qualquer sentido!”

Retirado do blogue  Búzio do Vento
http://buziodovento.blogspot.com/

3 comentários:

manuel correia disse...

Gosto das suas publicações !!A menina já é veterana nestas lides!!

Rita Carrapato disse...

Obrigada.
Veterana???... Assim sendo, que venha a concorrência, os veteranos têm muito a aprender com os júniores...

isolina disse...

Nunca tinha pensado que os abraços podiam ter cores, o que me deixou deveras surpreendida e de certo modo encantada, para mim os mais bonitos são os que têm a cor da primavera. Obrigado Rita.
Um abraço da cor d arco ires Iso-isolina