terça-feira, 20 de março de 2012

NÃO POSSO ADIAR O AMOR

Não posso adiar o amor para outro século 
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa

2 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Este poema é belíssimo.
Por isso, talvez seja o mais conhecido do poeta.
Rita, tem uma noite boa.
Beijos.

Fa menor disse...

Muito belo!

O Amor é, e tem que ser, uma constante na vida.

Bjinhs