segunda-feira, 14 de maio de 2012

AGORA É TARDE



 Por que não fomos
indiferentes desde o começo?
Por que não te ignorei
nem tu me estranhaste?

Agora é tarde, a tua voz
é o livro aberto onde eu peco
sem jamais o querer fechar.

Se vestíssemos
o rosto de uma lembrança distante
desabraçada no lixo…

Se zombássemos
da temperatura das línguas
e rasgássemos o estandarte do gozo…

Mas não,
é o prazer que nos tortura
a alma de alegria e nos liberta
de enfados e remansos medonhos.

Mas não,
somos a sensatez derrotada
pela nossa própria ternura, a festejar
com doçura um triunfo irrecusável.

Nilson Barcelli  - http://nimbypolis.blogspot.pt/


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